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Sobre jornadas

27 maio, 2009

Gostaria de dar uma pausa nos roteiros e dicas para falar um pouco sobre o ‘processo’: as jornadas. Como escolher a companhia para uma viagem ou um passeio, ou simplesmente escolher apenas você mesmo(a)?

Na minha cidade, eu ando a maior parte do tempo sozinha. Em inglês, ‘journey’ (jornada) é uma palavra muito utilizada em diversas situações, como ‘travel journey’ (sua jornada para ir ao trabalho) ou ‘personal journey’ (jornada pessoal, que dá a idéia de um caminho que você percorre em direção ao autoconhecimento, viajando ou não). Eu, por exemplo, na minha travel journey, faço tudo sozinha: lotação, metrô, ônibus, essas coisas. Sempre tenho um bom livro ou revista para me fazer companhia (acaba sendo a única hora do dia em que paro efetivamente para ler), e até fico um pouco zangada se alguém começa a puxar assunto do nada, só para passar o tempo, quando estou num momento tão introspectivo. Já andar de carro é algo que normalmente faço acompanhada de um ‘motorista’: minha mãe ou meu namorado. Sozinha é realmente uma aventura devido à minha falta de prática, e acontece mais aos fins-de-semana. E acaba sendo de mais autoconhecimento que as anteriores: por ser ainda um desafio, é quando sou capaz de testar mais meus limites – do volume do rádio ao pé no acelerador.

Já viajar mesmo é outro tipo de jornada, mais íntima e pessoal. E é sobre isso que eu queria falar.

Eu já tive oportunidade de viajar com família, namorado, amiga no singular, amigas no plural, amigo no singular e amigos no plural, e sozinha. E meu texto vem para esclarecer um pouco algumas coisas, caso você esteja em dúvida de qual caminho seguir – ou, no caso, qual companhia escolher.

Viajando sozinha eu descobri que adoro fotografar varais. E você? :)

Viajando sozinha eu descobri que adoro fotografar varais. E você? : }

Família: muda o ambiente, mudam os conflitos – mas também as alegrias. Adoro os laços familiares e como eles se comportam em viagens, como é descobrir coisas novas com quem se conhece desde sempre. Claro que coisinhas irritantes podem se tornar quase insuportáveis, especialmente se você estiver hospedado em um único ambiente. Dica: carregue sua revista favorita ou seu iPod e releve a mosca na sopa ou o ronco na cama ao lado. Em poucos dias você voltará para o seu lar, doce lar, e restarão apenas as boas lembranças e as fotos engraçadas.

Namorado: é uma boa oportunidade para curtir uma mini lua-de-mel. Claro que não é, nem de longe, um aperitivo sobre ‘morar junto’, porque ficar em hotel com café da manhã pronto, roupa de cama trocada todo dia e banheiro limpo por terceiros não é exatamente o que vocês encontrarão após o casamento, né? Talvez por isso viagens em casas ou apartamentos alugados tenham um gostinho a mais de casório, por ter que varrer a sala e fazer mercado, preparar almoço. E vermos como a gente se comporta estando tanto tempo junto, tendo que tomar decisões. Eu adoro as duas experiências, e acho que qualquer viagem é válida com quem se ama – até os perrengues ficam mais adoráveis e serão lembrados com carinho depois.

Amigo(a)(s)(as): a cumplicidade que se ganha viajando com amigos é uma que não é compartilhada em nenhuma outra situação. Que os digam os jogos universitários e todas as dores e alegrias que tenho guardadas deles até hoje. Mas, como toda experiência, ela é não é 100% feliz o tempo todo, e tem seus poréns também: se for uma viagem turística, suas vontades podem esbarrar na do seu companheiro quanto ao que ver, o que fazer. Esse tipo de conflito também pode vir com família e namorado, mas, por mais que amemos nossos amigos, a gente tem mais liberdade de bater o pé com os dois primeiros para impor nossas vontades do que com eles, com medo de criar um mal estar e estragar a viagem. Aqui vale a máxima: alguém tem que ceder. Ou se separar e cada um seguir seu caminho. Mas aí qual a graça de viajar juntos, não?

Sozinho: é uma experiência única! Tive a oportunidade de experimentar por aqui, na praia, e mais na Europa, quando morei por lá. Acho que acaba sendo o melhor caminho para o autoconhecimento, e para o conhecimento alheio também: na Europa, pelo menos, a cultura de ‘mochilar’ sozinho é bem enraizada, então é muito fácil trombar com outros viajantes solitários e fazer novas amizades. Acho ótimo para testar seus limites, respeitar suas vontades (‘hoje eu não tô a fim de sair’, ‘quero passar o dia no museu’ e coisas do tipo) e agradar apenas uma pessoa o tempo todo: você. É uma jornada extremamente válida, que todos devem fazer em algum momento da vida, até (e principalmente) aqueles que têm medo da solidão: você vai perceber que ter apenas você mesmo de companhia não é tão assustador assim.

Bom, eu sempre fui meio metida a besta com essas coisas de independência, vou ao cinema sozinha desde adolescente e adoro ter dias livres para sassaricar all by myself pela cidade, fazendo o que me der na telha.

Uma experiência que ainda me falta testar? Viajar com cada membro da minha família, mas separado. Só com meu pai, só com a minha mãe e só com o meu irmão. Nuria, minha ‘irmã mais velha’ inglesa, disse que se pudesse me dar um único conselho pra vida toda seria esse: de conhecer cada membro da minha família em particular, e viajando. Ela disse que descobrimos coisas sobre nossos familiares que jamais havíamos percebido dentro de casa, reforça os laços e é uma lição de vida. Ainda não tive a oportunidade, mas quero muito ter logo, aí venho aqui contar!

Para ler: ‘Eat, pray, love’ (comer, rezar, amar), de Elizabeth Gilbert, sobre seu ano sabático viajando sozinha pela Itália, Índia e Indonésia. Inspirador! ; ]

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2 Comentários leave one →
  1. 28 maio, 2009 6:12 pm

    eba! cantinho novo ;)
    já li tudinho e estou esperando por mais!
    beijos e sucesso :*

    p.s. também adooro varais! em lisboa dá pra fazer a festa, né? ;]

  2. 30 maio, 2009 10:25 pm

    Taí, também gostaria de fazer isso sabia?!
    Em Agosto tô de mochila, vou pro Peru uma semana.
    e sozinha.

    beijos.

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