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comida, diversão e arte

4 junho, 2009

Outro dia dei-me conta de que entre as tags mais usadas são de restaurante, guloseimas e café. Ou seja: comida. Parece que eu sou a maior comilona do mundo, né? Isso não é 100% verdade, porque no dia-a-dia até que como bem normal, sigo uma dieta razoavelmente balanceada. O problema é que, para mim, grande parte das experiências vividas se relacionam com comida. Até uns cincos anos atrás eu tinha o paladar bem infantil e comia muitas porcarias. Mas com o tempo isso foi mudando, e devo essa mudança a três pessoas em especial: Júlio, Nuria e Ti. (Claro que ainda como um monte de besteiras e sou completamente viciada em chocolate, mas já tenho um pouco mais de moderação hoje em dia – ou tento ter, pelo menos).

Júlio é meu namorado e um dos nossos programas favoritos (senão ‘o favorito’) é descobrir lugares bacanas para comer em São Paulo e nas nossas viagens. Adoramos sair para jantar, almoçar, tomar café da manhã… A refeição envolve não só a comida em si, mas a cumplicidade, o ato de conversarmos sobre o que está acontecendo nas nossas vidas enquanto saboreamos um prato novo, a ação de dividir a sobremesa. Lembramo-nos sempre de uma mousse de chocolate com calda de laranja que comemos em Puerto Madero, ou das frutas frescas e quitutes nordestinos de Maceió. Mas ele é magro e controlado, do tipo de comer pedaços pequenos, e eu não – o que dá certa raivinha vez ou outra porque eu queria ser assim! haha
 
Já Nuria, inglesa que me adotou como ‘irmã mais nova’, tinha o maior prazer do mundo em me mostrar Londres através dos seus olhos. E seus olhos viam o quê? Um doce para quem pensou em comida, again. Ela dizia que gostava mais de gastar dinheiro com comida do que com roupas e afins, pela experiência que uma boa refeição proporcionava. Ela sim era uma gulosa de plantão (mas não engordava um grama e tinha um corpo lindo!). Acabei adotando seu joies de vivre através de uma boa guloseima, e grande parte das minhas recordações com ela são relacionadas a cheiros e sabores: uma ginger beer no terraço da Tate Modern, os grãos de vagem comidos in natura na Liverpool Street, o bagel de carne em Brick Lane… e por aí vai.
 
E Ti, meu melhor amigo, que quando nos conhecemos (em 2003) comia apenas massa e carne, em quantidades limitadas, se tornou um bon vivant de uns anos pra cá. Saímos sempre para almoços incríveis, adoramos dividir um bom vinho, trocar garfadas de uma massa bem feita, pedir sobremesa e vivenciar toda a alegria de uma refeição completa e bem servida.

chopped_apples
 
Não posso dizer que minha família seja então totalmente responsável pelo meu paladar, mas é claro que influenciou de alguma forma também. Minha avó era uma cozinheira de mão cheia, dom que minha madrinha herdou (ela faz tortas incríveis!). Já lá em casa minha mãe sempre fez questão de deixar claro que não é fã das panelas, então quem assumiu o fogão fui eu, com muito prazer. Mas das nossas refeições em família eu tiro o que de melhor se pode tirar da comida: a companhia. Li certa vez que filhos que crescem comendo com os pais têm um vocabulário melhor, são mais responsáveis e maduros. Tirando a caretice da afirmação, acho que nós gostamos mesmo do ato de compartilhar que a refeição envolve – até hoje nós comemos os quatro juntos cerca de cinco vezes por semana, e esses acabam sendo nossos melhores momentos: é quando a gente discute a vida e, invariavelmente, tudo acaba em palhaçada. Desde que comecei a namorar o Júlio, ele dizia que nós parecíamos ‘família de comercial de margarina’. Acho graça, porque quando a gente se junta a impressão é bem essa mesmo.

Para mim, o ato de comer é uma experiência sensorial completa. Agrega cheiros, texturas, sabores, imagem e até som, como uma pipoca mastigada vendo um filme. E poucas coisas são capazes de traduzir a cultura local de um país, cidade ou vilarejo como sua comida. Por isso as várias referências ao pecado da gula por aqui. Mas fiquem tranquilos: muito mais está por vir.

Para ler: ‘Planeta Gula’, matéria da Vida Simples de maio, sobre como viajar também é conhecer o mundo através do paladar.

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