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por las calles de Colônia

4 agosto, 2009

materraA primeira colaboração da novíssima categoria do blog já mostra a que veio: quem vem nos brindar com um texto cheio de charme de um lugar mais do que incrível é a Marina Terra. Má é uma jornalista supercompetente, corinthiana apaixonada, queridíssima colega de Cásper e companheira de muitas aventuras e perrengues no Juca. Quando eu penso na Má me vem à cabeça uma moça de fino trato cheia de boas referências, um jeito de falar/escrever que só ela tem (lindo!), falafel, músicas latinas ótemas que ela sempre me indica e as viagens deliciosas que ela faz (e sempre traz mil histórias para contar). O que ela tem de ruim? Uma agenda maluca que faz com que a gente se veja de vez em nunca!

Má também escreve os textos mais belos que existem aqui (clica clica clica!). E hoje ela vai contar pra gente um pouquinho sobre Colônia del Sacramento, no Uruguay.

“Receber um convite para escrever sobre o Uruguai já é tarefa difícil de ser recusada, ainda mais se a autora da proposta for uma querida amiga, também entusiasta do fazer de malas e das borboletas na barriga que surgem assim que se pisa em solo desconhecido. Portanto, sem titubear, mergulhei com os braços esticados na lembrança de janeiro de 2008, quando desenhei um prólogo para uma temporada de estudos pela Argentina em viagem a um país que um dia, vejam só, teve o nome de Brasil, mas que hoje carrega orgulhoso identidade toda singular.

A chegada ao Uruguai se deu por meio da nação dos meus queridos hermanos argentinos, onde antes organizei os últimos retoques para o seguinte mês de ‘clases de español’ – que começaria na terceira semana de janeiro. Já no segundo dia em Buenos Aires, comprei a passagem do Buquebus, meio de transporte da maioria dos que vêm e vão pelo rio da Prata. O destino, em vez da óbvia capital uruguaia, Montevidéu, era a cidade portuária de Colônia del Sacramento.

O bilhete na classe turística não custa mais do que 140 pesos argentinos, e o passeio vale muito a pena. Apesar de o barco ser completamente vedado por janelas, é possível admirar a imensidão desse rio que mais parece mar ao longo da uma hora que o buque ‘rápido’ leva. O buque E.I., de porte maior, demora mais: três horas. A diferença de valor é mínima, cerca de 50 pesos. 

cidade histórica

cidade histórica

Assim que pus meus pés em solo uruguaio o vapor de verão já anunciou que a experiência das revistas de turismo, pessoas agasalhadas e canecas de chocolate quente fumegantes, não seria a minha. Após trocar algumas notas de dólar por pesos uruguaios, na rodoviária ao lado do porto, segui diretamente para o albergue, o simpaticíssimo El Viajero, próximo ao centro histórico. É preciso destacar que nada em Colônia é longe. Tudo poder ser feito a pé ou de bicicleta. E já que ele foi citado – o centro –, começo a descrição dessa incrível cidade por ele. 

A primeira impressão é de que se trata de um espaço arquitetônico parado no tempo – pudera, Colônia data do século 17. Diversos adjetivos vêm à mente: rústico, colorido, vivo. Todos os detalhes saltam aos olhos. Tomei a decisão de alugar uma bicicleta no albergue, então, conforme pedalava sobre os paralelepípedos e pedregulhos – uma comparação que pensei na hora foi “essa é a Parati uruguaia!” –, consegui apreciar de um jeito diferente Colônia.

Uma das provas de que os portugueses estiveram em terras cisplatinas são os telhados. Os em formato côncavo denunciam a marca lusitana, e os chapados, a espanhola. E na mais famosa das ruas, a ‘calle de los suspiros…’ (preciso sempre pôr uma reticência quando termino de escrever – soa mais… romântico), o choque ibérico é flagrante. 

suspiros...

suspiros...

Para os mais apressados, uma tarde em Colônia é o bastante. Arrisco dizer que a área interessante para o turismo não é maior do que o parque do Ibirapuera. No entanto, para aqueles que gostam de provar as delicadezas de uma cidade aos poucos – ainda mais se a paixão por ela é à primeira vista –, aconselho duas noites. 

Os passeios com guias não levam mais do que duas horas e são uma ótima opção para quem quer saber mais sobre a rica história de Colônia a pé. Não deixe de visitar alguns dos museus, como o que retrata os naufrágios e tesouros encontrados nas águas (informações aqui).

Após vasculhar cada cantinho, o certo é seguir para a beira mar (ou ‘la rambla’, em espanhol) e apreciar o espetacular pôr-do-sol da cidade. Garanto: é uma experiência como nenhuma outra. E depois, aproveitar a ampla oferta de restaurantes e bares para fechar noite com chave de ouro – a maioria dos estabelecimentos já se encontra no centro histórico. 

A próxima boa constatação é a de que os uruguaios são experts em transformar o momento da refeição em uma festa para os carnívoros, como eu. Em uma só ‘plancha’, cortes macios de carne, frango e porco, misturados a frutos do mar recém pescados – tudo muito fresco. Os pobres acompanhamentos – batatas, arroz e saladas – perdem a vez frente ao banquete.

la rambla

la rambla

Fui ao ‘Viejo Barrio’, localizado na cidade histórica, onde também fica o ‘El Rincón’, igualmente agradável.  

Uma opção mais barata – os restaurante chegam a cobrar cerca de R$ 70 por um menu completo – são os bares ao longo da avenida General Flores, a principal. Lá também ficam a Prefeitura e o centro de informações para turistas, bastante útil. Sanduíches e pratos mais simples são facilmente encontrados nesse pedaço da cidade, compreendido também pela avenida 18 de Julio. A famosa lanchonete ‘La Pasiva’, espalhada por todo o Uruguai, serve lanches caprichados, como o clássico ‘chivito’: tomate, alface, maionese, carne de boi grelhada, bacon, mussarela, presunto, picles e ovos (cozidos). Pode ser servido no pão ou no prato, com batata frita e salada.

Para quem fica um pouco mais na cidade, um passeio divertido é pelas praias ao longo da costa. Mergulhar no rio da Prata, acompanhado de uruguaios em êxtase pelo calor – todos bastante brancos, diga-se de passagem – é diametricamente oposto a um dia em Ipanema, claro, mas não deixa de agradar a olhares estrangeiros, e tropicais, curiosos.

E foi em uma das praias que meu encontro com Colônia terminou. Conforme me despedia, na tarde do terceiro dia– sim, fiquei quase três dias na cidade -, rumo a Montevidéu, fiz uma promessa baixinho que retornaria muito em breve e que na próxima vez, acompanhada daquele que esticou os braços de saudade para mim quando nos encontramos, dois dias depois, já na capital. Além de um banho de cultura e história, mesclados a uma beleza hipnotizante, Colônia também é, sem dúvida alguma, a cidade perfeita para casais apaixonados. Aquela rua não se chama ‘de los suspiros’ à toa, não…”

+ mapa da cidade

álbum da Má recheado de fotos belíssimas de lá : )

 

Eu, que sou ‘incurably romantic’ por natureza, fiquei louca de vontade de agarrar meu bem-querer pelos braços e ir correndo para lá, vivenciar um pouco do que a Má contou, voar de bicicleta pelas calles e, com certeza, deixar muitos suspiros espalhados pelos cantos… ai ai.

E uma beijoca estaladíssima na Má, que nos propiciou um gostinho dessa experiência linda-linda! ;*

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2 Comentários leave one →
  1. Scheyla permalink
    4 agosto, 2009 10:28 am

    Muito legal a ideia!! Adorei o textinho sobre o Uruguai =)
    Vai pra minha listinha de coisas a ver/fazer quando eu fizer meu mochilão pela América do Sul!
    bjus

Trackbacks

  1. rapidinhas « gps: i love you

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