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na rua na chuva na fazenda

14 agosto, 2009

Há dois anos, chovia torrencialmente em São Paulo num dia de verão, como em quase todos os fins de tarde veronis. Era por volta de seis e aniversário do meu melhor amigo. Cruzei o rio que se formava nas calçadas da Augusta e, de guarda-chuva em punhos, cheguei à comemoração. Molhada dos pés à cabeça, mas ali. E ele disse que o maior presente foi eu ter ido – melhor do que ninguém ele sabe que, se tem uma coisa que me deixa extremamente mal humorada, essa coisa é chuva. Como dependo muito de fazer tudo a pé ou a bordo de transporte público, pegar chuva e ficar o resto do dia de meias úmidas não é lá uma experiência muito confortável.

Com o tempo fui aprendendo truques para driblar a danada, tipo carregar meias extras na bolsa, já que nem sempre dá para se esconder debaixo das cobertas e matar o dia. Mas há momentos em que as chuvas realmente estragam prazeres e fazem o mais otimista dos seres fechar um bico: em viagens.

Afinal, quando viajamos queremos tempo bom para andar, explorar, fotografar, conhecer, passear. Se possível, tudo a pé, para absover a atmosfera mesmo. O que se torna impossível quando chove.

chuva só é bonita nas fotos de cartier bresson - na vida real é uó!

chuva só é bonita nas fotos de cartier bresson - na vida real é uó!

Infelizmente já tive esse azar em algumas ocasiões. Não pude aproveitar o mercado das pulgas em Berlim, que acontece aos domingos, porque choveu o dia todo. Fiquei perto do lago Ness por pouco tempo e nem pude procurar o monstro (alôca, haha) por causa do frio e da chuva. No último reveillon, escolhemos como destino Arraial do Cabo, no Rio. E as imagens do mar tipo caribe ficaram estampadas apenas nos guias turísticos: apesar de termos ficado quase uma semana lá, o tempo teimou em ficar meio-cinza-meio-nublado TODOS OS DIAS, resultando num mar comum de cor sem-graça, sem nenhum espetáculo de corais e águas cristalinas. Bastante frustante, já que a cidade não roubou nosso coração e não pretendemos voltar logo para conferir se o mar fica azulzinho mesmo quando o céu colabora.

Dos quase dez dias que ficamos no Chile, em apenas UM o céu ficou aberto – por sorte, bem no dia em que fomos conhecer o litoral. Mas a última experiência chata foi mesmo em Pucón: eu queria-porque-queria conhecer a simpática cidadezinha chilena para ver de perto o tão comentado vulcão. E ele, assim como o mar caribenho de Arraial, ficou restrito ao google images: apesar de eu ter escolhido o quarto com vista para o vulcão na deliciosa pousada em que ficamos, o tempo fechado e chuvoso fez com que ele não desse as caras pelos três dias em que ficamos na cidade. E eu voltei pra casa com a única imagem de vulcão que eu pude aproveitar: estampado numa camiseta de presente pro meu pai.

Apesar de toda a frustração que gera o tempo ruim em viagens (acredite, ninguém mais do que eu fica triste com isso), o segredo é levar na esportiva e procurar alternativas. Se estiver inspirado, enfrente a água que-corre-de-pé-e-cai-deitada com a cara e a coragem mesmo, afinal, os dias de viagem costumam ser limitados no destino e qualquer tempo é valioso. E é sempre interessante ver como os locais se comportam quando chove, a experiência toda ganha outra cara. Já se preferir um lugar fechado e sequinho, museus são sempre uma boa opção: para quem gosta de apreciar a arte local e não quer passar um dia trancado no hotel vendo tevê, conhecer um pouco da história cultural de um país através do acervo de arte que ele tem é sempre um passeio agradável. Consulte um guia antes para ver o que está rolando de bacana em termos de exposições temporárias ou acervo permanente e faça sua escolha.

Aproveite também para perguntar aos recepcionistas do albergue/hotel o que seria interessante fazer em dias assim: eles sempre têm boas sugestões de igrejas, prefeituras e passeios indoors para viajantes. Na pior das hipóteses, tire o dia para descansar mesmo e se recuperar (ou se preparar) das longas horas de voo, jornadas e caminhadas. E eu, como sou viciada em tevê, sempre recomendo dar uma zapeada na telinha – é bastante antropológico saber o que um povo gosta de assistir nas horas vagas. Em último caso, recorra às simpatias para Santa Clara e torça bastante para o sol sair no dia seguinte. No mínimo ajuda a passar o tempo (e dias melhores virão!).

 

+ para inspirar: diquinhas fashion para se vestir em dias de chuva, by Oficina de Estilo

‘bota pra molhar’

‘preparação para uma primavera chuvosa’

‘sapatinhos de plástico: na rua na chuva na fazenda’

‘de fazer em casa: sapatinhos protegidos da chuva’

‘nylon e plástico na chuva, com black eyed peas’

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3 Comentários leave one →
  1. Scheyla permalink
    15 agosto, 2009 6:43 pm

    Chuva é boa pra dormir ouvindo o barulhinho, debaixo das cobertas, bem quentinho, uma delícia!! Mas em viagens.. eu que faço trilhas ja´peguei chuva várias vezes e é bem desanimador.. Na última, no final de julho, subi uma das montanhas mais altas do PR (acho que é a 5ª), que em fotos tinha um visu maravilhoso de quase todas as outras montanhas da região, e imagine.. chuva!! A vista quase totalmente fechada, só aquela paisagem meio surreal. Foi bonito tbem, mas nem a metade do que era pra ser. Mas, o jeito foi se divertir mesmo assim..
    Agora tenho a desculpa de voltar lá novamente com tempo aberto =P
    Bom finds!

    • nath permalink*
      17 agosto, 2009 12:31 pm

      nossa Scheyla, agora que você falou que eu lembrei de outro lugar que mal conhecemos por causa do tempo ruim: na nossa última visita ao Rio, resolvemos fazer o passeio do Corcovado, até o Cristo (minha amiga carioca dizia que a vista da baía de guanabara era a coisa mais linda da cidade!).

      o tempo estava até que ok, mas, chegando lá em cima, parecia que estávamos sentados nas nuvens, literalmente! estava tudo TÃO fechado que não vimos absolutamente NADA! triste, né? fora que o rolêzinho saiu caro, e não pretendemos repetir tão cedo :\

  2. liliane permalink
    19 julho, 2010 3:10 pm

    adorei foi uma bela aventura,,,

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