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belém de cami

18 agosto, 2009

cami

Camila Kzan faz parte da minha vida há alguns anos. Tive a oportunidade de conhecê-la através da Carol, sua irmã, com quem trabalhei em 2004/2005. As duas têm aquele jeito paraense delicioso de falar e um sorriso encantador sempre estampado no rosto. Além do brilho no olhar, o que me fez querer ser amiga de Cami foi sua extrema generosidade, sua lucidez sobre o mundo ao redor e uma sintonia que fomos descobrindo aos poucos, que só apura com o tempo. Mas ela é uma cidadã do mundo e, apesar de ter nascido em Belém, vive agora no Rio, depois de uma temporada em Sampa (onde nos conhecemos e ela morava num edifício com o nome do criador do Pequeno Príncipe – existe coisa mais linda?!). A distância traz uma falta imensa dos nosso queridos cafés, território para filosofias cotidianas, papos sobre a vida, angústias existenciais e planos para o futuro.

Apesar de agora estar cursando Direito, ela já fez suas incursões como cineasta, num documentário ótimo sobre a culinária típica do Pará e outro sobre o Círio de Nazaré, que acontece sempre em outubro, em Belém, e é a maior festa religiosa do mundo (mooorro de vontade de conhecer!!). Aliás, quando trabalhei na Jungle, ela foi colaboradora especial de uma matéria que fizemos sobre a festa

Por tudo isso o texto de hoje, sobre sua terra natal, tem um sabor muito especial: tem gosto de sorvete Cairu de tapioca, que um dia a Carol me trouxe de lá e é a melhor sobremesa ever; e tem sabor de saudade – que quando vem, pode ser doce também, porque traz um montão de lembranças boas. Porque se a única coisa que vem à sua mente quando o assunto é Pará é a castanha, está na hora de rever os seus conceitos!

 

“Convite bom este de escrever sobre a minha cidade! 

Fiquei pensando que a maioria das pessoas escreveria com um olhar de fora ou um olhar de dentro a respeito de cada lugar… Mas o fato de eu ter morado 16 anos em Belém e já ter saído de lá há 11 me dá a oportunidade de ter duas formas de ver… Consigo ver Belém de dentro, com um olhar infantil e adolescente, e de fora, com um olhar adulto. 

Ai, não vou mentir… eu não tinha nem de longe o amor que tenho por Belém hoje! Era pequenina e tinha aquela coisa de cidade provinciana, onde as pessoas freqüentavam os mesmos lugares. Belém parecia tão pequenina quanto eu. Eu já evitava ir aos mesmos lugares e buscava conhecer coisas novas. Lembro que no intervalo das minhas aulas durante as tardes, pedia para que me levassem aos museus da cidade, que naquela época não eram tão bem conservados como são hoje. Na Cidade Velha, bairro lindo que fica na beira do rio, tem os Museus do Estado e do Município, sempre tinham exposições muito bonitas e eu gastava meu tempo livre passeando por lá. Pra quem não sabe, fotografia e artes plásticas em Belém são de um bom gosto imenso… Muitos artistas, depois da revitalização deste bairro, compraram casas antigas e passaram a morar lá. O máximo! 

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Fora a Cidade Velha, tem um outro lugar que considerava minha segunda casa e, de fato, era! Dancei balé por todo o tempo em que morei em Belém e era comum haver apresentações no Theatro da Paz. Belém não tem um Municipal, tem um Da Paz… isso é lindo!!! O Theatro da Paz foi construído na época da borracha, tempo de áurea no Pará, e o teatro é todo inspirado no Teatro Scalla de Milão. Ele começou a ser construído em 1869 e foi finalizado somente em 1905! Passei muitos dias enfurnada nas salas de ensaio, no palco e na platéia assistindo aos outros bailarinos. Uma das melhores épocas da minha vida. 

Quando fui embora da minha cidade, passei a visitá-la pouco… Nos primeiros anos era engraçado porque via meus amigos indo a lugares que não existiam nos meus tempos. Parece meio antiquado, mas não é. É que Belém passou por uma grande transformação a partir do ano de 2000, mais ou menos. O governo da época passou a investir muito na arquitetura e turismo da cidade e as pessoas passaram a valorizá-la bem mais. Bem, nos primeiros anos, a primeira coisa que fazia era tomar sorvete na Cairu! Tapioca era o meu preferido, mas de tanto tomar, enjoei e comecei a variar… paraense, bacuri, Maria Isabel. Passo, até hoje, muitas das minhas tardes vendo o rio da Casa das Onze Janelas… Me sento no Boteco, tomo uma cerveja, tiro fotos, converso com as pessoas e vejo os “popopos” (como os ribeirinhos chamam seus barcos, que fazem este barulhinho “popopo”) passarem de lá pra cá… Os anos passam e eu continuo freqüentando o Forte do Castelo, antigo Forte que tem uma vista linda da cidade e um ótimo museu dentro dele. Depois vou à Portinha, um barzinho com uma portinha literalmente, onde um casal vende comidinhas gostosas de Belém, sem precisar ser “pratos típicos”. Adoro a empada de queijo minas e jambu! De noite, é bom ir ao Bar do Rubão, uma figuraça e afetadíssimo moço que recebe seus clientes muito calorosamente e serve um ótimo caranguejo. 

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Impossível não conhecer a Estação das Docas, antiga Docas do Pará, onde atualmente funciona como um complexo de lazer. Bons restaurantes, ótima cervejaria e uma linda vista da baía do Guajará. Antes de passear na Estação, sugiro irem ao Mercado do Ver-o-Peso bem cedinho, quando os peixes ainda chegam fresquinhos nos barcos dos pescadores. O Mercado do Ver-o-Peso é todo de ferro e foi trazido da França em 1688 e é lindo! Eu sempre vou e mesmo que não compre nada, aproveito para conversar com as pessoas que trabalham e passeiam por lá! Adoro. 

Ai, que mais? Poxa, eu poderia falar de um monte de coisas ainda. E juro que não sou bairrista! Dá para ver pelo início do meu texto… É que Belém é linda mesmo. E foi tão bom crescer onde a chuva faz parte da vida de todo mundo, onde os carros passam por túneis de mangueiras, onde se fala “égua” com diferentes entonações, onde as pessoas são tão hospitaleiras e onde todo mundo tem mania de falar no diminutivo… Que bom ser de Belém! 

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Minhas dicas:  

  1. Vá pronto para o calor. Ou seja, leve roupas muito leves! 
  2. Tome bastante sorvete. Principalmente o de tapioca, da sorveteria Cairu. 
  3. Faça um passeio de barco. 
  4. Se puder, vá na segunda semana de outubro e assista ao Círio de Nazaré.
  5. Se conseguir passar mais de uma semana, vá também à Ilha do Marajó e a Salinas. 
  6. Coma no “Lá em Casa” e na “Peixaria da Dona Carmem”. 
  7. Esteja preparada para a chuva de todos os dias.” 
  8.   

Um beijo muito especial e um abraço-de-tirar-o-fôlego (cheio de saudade!) para a Cami, que nos brindou com esse belíssimo texto, recheado de afeto e informações úteis sobre sua cidade. Quase deu para sentir a brisa de Belém, uma cidade cheia de encantos, com muito para crescer e boas histórias para contar – com poesia e beleza sem fim, como a vida deve ser. Uma coisa de linda! ;*

belem_ver-o-peso2 

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2 Comentários leave one →
  1. Roberta permalink
    20 agosto, 2009 1:19 pm

    Tenho que concordar que a Camila é tudo de bom. Um presente que a vida às vezes nos dá, assim, sem querer. Quase tão bom quanto tê-la por perto é ler o que ela escreveu sobre Belém. Deu muita vontade de conhecer e fazer tudo que ela recomendou. Parabéns pelo blog, que eu não conhecia, e pela amiga linda que vc também tem! =)

Trackbacks

  1. rio de cami « gps: i love you

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