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gentileza gera gentileza

11 setembro, 2009

(escrevi este texto logo que voltei do Chile, mas ele tinha ficado perdido entre os mil rascunhos que tenho aqui)

E a cena se repete: uma loja em um país estrangeiro (Argentina ou Chile, para ilustrar). Entra um brasileiro, acompanhado de um ou mais de seu país. Falando alto. E faz alguma pergunta ao vendedor, puxando-o de forma grosseira: “Vem cá, quanto custa isso?”. Sim, EM PORTUGUÊS. Em outro canto da loja estou eu, cobrindo o rosto, morrendo de vergonha-alheia e torcendo para que não me tomem como uma brasileira rude tal e qual.

Não que sejamos obrigados a falar a língua local quando visitamos um país. Imagina ter que aprender dialetos locais só porque você morre de vontade de visitar um lugar? E concordo que há pessoas com mais facilidade para línguas do que outras. Mas nada contra em aprender algumas palavras básicas, ou no mínimo as regras necessárias de conduta, não é mesmo? Eu consegui dobrar até os sisudos alemães com apenas algumas expressões na língua local, como ‘sim’, ‘não’, ‘por favor’, ‘obrigada’ e ‘eu não sei falar alemão, só sei falar inglês’. Aliás, a mais básica de todas, néam? Porque convenhamos que qualquer brasileiro saberia falar ‘no hablo español’, mas parece que ser educado dá muito trabalho hoje em dia.

kindess

Sei que quem visita aqui não deve fazer parte do grupo que citei acima, mas este texto vai mais como desabafo mesmo, porque fico chateada quando vejo esse tipo de coisa acontecer, e já vi em muitas outras situações. Vejo vendedores perpelexos porque não entendem a nossa língua, e brasileiros adotando uma postura arrogante de ‘eu estou aqui para gastar dinheiro no seu país, e você vai ter que me entender’.

Numa loja em Santiago, um vendedor comentou com um casal brasileiro que havia um outlet da marca próximo à cidade. A menina quis saber mais: ‘é muito longe?’. O vendedor, educado, respondeu em espanhol que não compreendia. Então ela começou a falar superalto e a fazer gestos de distância com a mão, ‘MUITO LOOOONGE??’. Em espanhol, a palavra correspondente é ‘lejos’, que não se parece com a nossa nem em grafia nem em som nem em nada. Mas ela falava com ele como se ele fosse surdo ou tivesse problemas de compreensão – que quem tinha, no caso, era ela: compreender que falavam línguas diferentes, e há maneiras e maneiras de se perguntar as coisas; sendo que, obviamente, ela escolheu a menos educada.

Certa vez li um estudo que elencava os melhores e piores turistas do mundo. Os melhores eram os japoneses: educados, simpáticos e bons compradores. E os brasileiros estavam entre os piores: mal educados, não respeitam leis, jogam lixo no chão e tentam levar vantagem em tudo. Não quero generalizar, mas não quero ser generalizada também: não quero ser vista dessa forma em outros países antes mesmo de abrir a boca, tendo que gastar muito sorriso e simpatia para mudar esse pré-conceito.

Talvez eu seja uma militante solitária, pregando gentileza e educação aos quatro-ventos. Mas fui criada desta forma, e acredito muito que são conceitos-chave para um mundo melhor. Nunca tratei ninguém melhor nem pior por condição social, raça, sexo ou qualquer coisa que o valha. Meus pais me ensinaram que ser educada e gentil só me traz coisas boas de volta, e tem funcionado comigo há 24 anos. São atitudes que já me fizeram vencer muitas batalhas. E as que eu não ganhei, com certeza não foram por culpa minha, mas de um interlecutor carrancudo que não sabe reconhecer o valor de um sorriso sincero. Paciência.

 “Parece uma ideia óbvia, antiga até, mas a boa educação transformou-se num valor poderoso, anticonformista por ser diferente da maioria mal-educada. (…) Seja rigorosamente gentil com todas as pessoas. Não existe coisa mais deselegante que fazer distinção de tratamento baseada em posição socioeconômica. Seja educada não por oportunismo, para agradar e ter aceitação. Mas por convicção, por interesse pelo outro.”
(Constanza Pascolato, musa, em post ótimo sobre educação e elegância do It Girls)

 

+ para ler:

“Generosidade para todos” , matéria de capa da revista Vida Simples de julho.

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3 Comentários leave one →
  1. Scheyla permalink
    12 setembro, 2009 7:41 pm

    Nossa!! Educação e um mínimo de boa vontade pra conhecer coisinhas básicas de outro lugar, como língua e cultura é essencial, até mesmo pra não acabar passando por mal educado e também evitar criar confusão, magoando pessoas pelas diferenças culturais (em alguns lugares isso é bem grave!!).. MAs tem gente que não se esforça nem um pouquinho mesmo..
    Eu pelo menos tento sempre!!
    Bom findi!
    bju

  2. Marina permalink
    18 setembro, 2009 9:21 am

    E a cena que vi, em Montevidéu, de um casal brasileiro pedindo guaraná em uma lanchonete e resmungando depois porque não tinha? Ou uma louca em Buenos Aires, que gritava “aceita CARTÓÓÓN de crédito?”. rs
    É legal preservar o “brasileiro” dentro de cada um, mas respeitando a cultura alheia. É tão legal se sentir parte dos lugares, né?
    beijocas

    • nath permalink*
      18 setembro, 2009 12:04 pm

      sim Má, é nisso mesmo que acredito!
      respeito em primeiro lugar, né?
      e muita educação também, que super faz falta em muitas pessoas! :~

      mas juro que fiquei rindo aqui com o “cartóóóón de crédito”, que tabajara, haha

      bitocas!

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