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San Gimignano

20 outubro, 2009

carolCarolina Pezzoni é jornalista e formada na Cásper, como eu. Nos conhecemos em meados de 2005 (é isso?!) através de Tati, amiga querida em comum, e desde então criamos um vínculo daqueles bons de se cultivar, que não queremos que sumam jamais com o tempo. Uma das pessoas mais doces e lindas que eu conheço, inteligentíssima, curiosa, bem informada, bem humorada e com um coração maior que tudo. Temos mil gostos em comum, afinidadades deliciosas e muitas, muitas histórias para contar – de jogos universitários, de viagens pela Europa, de tricôs em cafés aqui, ali, acolá. De filmes, livros, discos. De guarda compartilhada da Gabriela, de passeios turísticos no velho mundo, de aprendizados de línguas, de experenciar novas culturas e, acima de tudo, de termos um olhar parecido com o mundo ao redor: curioso, generoso, apaixonado. E eu achei que seria fácil escrever este textinho porque a Cá é uma das pessoas que mais amo no mundo, mas não é: acho que é mais difícil falarmos sobre uma pessoa quando ela é assim tão próxima da gente, né?  

Pedi para ela que ela escolhesse qualquer lugar que quisesse para falar aqui – onde mora, já morou ou alguma das suas inúmeras viagens por aí. E ela escolheu um vilarejo na Itália que roubou meu coração – não sei se já confessei isso aqui, mas apesar de ter nascido em São Paulo e ser super ‘big city gal’, os lugares que mais amo conhecer quando viajo são esses: vilarejos ermos, distantes e pouco habitados, cheios de histórias antigas e paixões que atravessaram muitos, muitos séculos de serenatas. Acho que por serem assim tão distantes da minha realidade, são os que mais me fascinam. E agora a Carol veio fascinar vocês também =)

“Em San Gimignano, são bem-vindas as ilusões mais doces 

Toda vez que acesso este blog é um sofrimento. Chega a beirar a tortura psicológica. Para quem estranha o exagerado comentário, no entanto, tenho uma boa explicação: as escolhas da autora, minha amiga itinerante (em um esforço para definir personalidade tão vibrante), provocam meus desejos mais profundos no que diz respeito à vida e o que ela carrega de mais estimulante. Gps: i love you confronta-me com meus interesses preementes, da música e das artes às viagens distantes. Atiça meus impulsos, a um ponto que me faz querer sair correndo – pois caminhando não bastaria –, entrando em museus, tomando sorvetes, sorrindo para crianças na rua, comprando flores, registrando cenas românticas, assistindo a todos os filmes em cartaz, enfim, abraçando o mundo.

Como não tenho inclinações masoquistas, tentei resistir, sempre tento. Porém, a todo momento em que estou conectada, a apenas um clique do blog, acabo sucumbindo à tentação (herança de Eva, penso conformada) e aqui me surpreendo mais uma vez, passeando os olhos sôfregos pelos posts, procurando registrar cada imagem, cada referência, preocupada em não deixar nenhuma dica escapar.

Este longo desabafo sentimental se justifica para explicar qual não foi a minha aflição quando a autora, capciosa, Nathalia, me propôs uma tarefa: selecionar no mundo um lugar caro a mim e sobre ele escrever um artigo qualquer. Como se fosse simples, pois, vos digo, além da ansiedade já destacada, sou também muito nostálgica. É assim desde o início de nossa amizade: ela insiste em me fazer lembrar as coisas boas vividas. Aquele café com caramelo na Inglaterra, a tal garotinha que conhecemos, o parque em que passeamos, o romance que virou história. Apesar disso, resolvi que era hora de tirar o pó do caderninho de viagem e resgatar dali ao menos um destino especial.

Finalmente, depois de uma bela viagem de trem mais ônibus pelas paisagens toscanas, cheguei à bela San Gimignano, província de Siena, inscrita no topo das colinas da região central da Itália. Contrariando o conselho dos amigos, que defendem que lá impera o tédio, resolvi passar ao menos um dia para chegar às minhas conclusões. Entendi que ter ou não algo para fazer é relativo. De fato, em San Gimignano, o tempo passa mais devagar. Se fosse no Brasil (apesar de eu achar essas comparações uma bobagem), seria, nesse quesito, algo próximo de Parati, no Rio. É um lugar onde se ganha tempo ao observar as janelinhas dos casebres de pedra e imaginar quem vive ali e o que imagina quem vive ali e assim por diante.

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Perto da hora do almoço, depois abrir o apetite vagueando pelas ruas de pedra, onde há várias mercearias com iguarias típicas da região, como o queijo de ovelha ou pecorino, o famoso biscoito de amêndoas cantuccini, perfeito para degustar com Vin Santo (vinho de sobremesa, característico da região da Toscana), massa caseira de macarrão à base de azeitonas, polenta para preparar com frango (a receita alla cacciatora), decidi fazer a minha refeição em uma osteria, em que provei bruschettas como aperitivo, sopa como prato principal, acompanhados de meia garrafa de vinho da casa. Troppo convenzionale! Uma sugestão é aliar a degustação de pratos típicos e a vista do horizonte, são cerca de 13 majestosas torres ao redor, além das colinas cobertas de vinhedos, em um dos restaurantes ao ar livre, situados em belíssimos terraços suspensos. 

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Com uma estrutura quase inalterada desde a Idade Média, quando prosperou como rota de peregrinação entre Roma e o norte europeu, San Gimignano, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, é rica em obras de arte. Só para citar algumas, o interior da igreja Collegiata, na Piazza del Duomo, é repleto de afrescos do século 11; no pátio ao lado, uma galeria abriga Anunciação, de Ghirlandaio, concluída em 1482; e o Museu Civico, visitado pelo poeta Dante em 1300, apresenta a Maestà, de Lippo Memmi. Cercada por uma muralha medieval, a vila é pequena e, portanto, permite uma cuidadosa visita a todos os pontos turísticos em até dois dias. Se houver tempo para passar a noite, o B&B La Mandragola é uma deliciosa opção, e não muito custosa.

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Para o deleite de quem não dispensa souvenirs ou mesmo compras mais sofisticadas, a vila é plena de lojinhas pitorescas, que oferecem a cerâmica tradicional da região, entre outros produtos artesanais, confeccionados por habilidosos artistas e modistas. Em um rápido giro no centro, selecionei Dulce sin fundo, pelo nome atrativo e pelas lindas peças de vestir, como o reduto irrestível.

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A uma altura da tarde, escolhi um banquinho e fiquei alternando a atenção entre a minha leitura, pensar na vida e assistir a duas italianinhas brincando incansavelmente de faz-de-conta, enquanto vira e mexe levavam broncas dos pais cansados dos gritinhos estridentes. Não sei se pelo canto contínuo das cigarras ou se pelo visual bucólico e monocromático, em tons de terra, corpo e mente assumiram um ritmo mais lento e me deixei carregar pelos bons pensamentos. Tolstói morreria de inveja. Durante todo o trajeto, ficou faltando apenas merecer uma noite fresca de primavera nessa encantadora vila medieval. Um lugar rico em experiências essenciais, San Gimignano é sobre escolher o banquinho certo para se acomodar.”

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Maiores informações também aqui:

site oficial da cidade

breve histórico do local no Wikipedia + centro histórico

San Gimignano, la città dalle belle torri

centro histórico de San Gimignano, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO

portal de hospedagem na cidade

o clima medieval de San Gimignano, no Estadão

San Gimignano, a Manhattan da Idade Média (haha, adorei!)

 

E um beijo especial para Carolzita, daqueles beeem apertados e cheios de amor sem-fim, para agradecer pelo texto lindo-lindo, pelas belíssimas fotos (não consegui escolher!) e pelo carinho infinito, sempre. =*

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3 Comentários leave one →
  1. Marina permalink
    22 outubro, 2009 10:22 am

    Aim, duas bonitezas juntas num só post!
    Amo a Carol, amo a Nath e sinto demais por não vê-las absolutamente todos os dias da semana, hunf.
    Beijos, lindas!

  2. TAÍSA permalink
    28 junho, 2010 8:13 pm

    Estou no trabalho, e tive como ‘trabalho’ pesquisar os pontos turísticos principais dessa cidadezinha. Faço jornalismo mas trabalho com concierge, e uma das minhas principais tarefas é colher dados, pesquisar. E hoje, recebi como missão descobrir os encantos de cidades próximas de Florença. Aí entra outra questão; estive na itália em janeiro, a Florença também, me identifiquei muito com texto, talvez você tenha conseguido traduzir em palavras um sentimento ( por San Gimignano) , a minha paixão por Firenze que eu nunca consegui expressar, todas as vezes que me perguntam por que eu gostei tanto de Florença!. E riqueza de detalhes, o sentimentos imprenso em pequenas metáforas, a humanização do texto! Encantador! não visitei a cidade, mas estou voltando para itália em setembro e vou inclui-lá na minha nova lista e com certeza para as cidades italianas apaixonantes. Além do mais, descobrir o mundo ao lado de pessoas que amamos e que dividimos não só viagens mais uma porção de aventuras, ternura e nostálgia, deixa qualquer lugar com cara de quero-mais!
    Dividi tudo isso com a minha melhor amiga…
    parabéns pelo texto, pela forma encantadora de escrever e pela curiosidade de descobrir, da coragem de se aventurar..e por ter alguém especial para dividir tudo.
    Viajar é uma arte e admiro as pessoas que se rendem à ela!

    Continuem!!!
    Um beijo,
    Taísa.

Trackbacks

  1. Doçuras de Nath « O que passou na janela (e Carolina viu)

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