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síndrome da moradia aleatória

8 dezembro, 2009

Dia desses, numa caminhada matinal por Moema a caminho do trabalho, e com aquela vontade urgente que já me é familiar de morar em toda e qualquer casinha fofa pela qual eu passava, dei-me conta da minha patologia, a qual batizei de ‘síndrome da moradia aleatória’. E ela funciona desta forma: em 80% dos lugares que eu visito eu gostaria de morarMoradias ajeitadinhas com jardins e passarinhos, prédios com varanda bem localizada ou uma praça com igreja no meio do bairro já são suficientes para a imaginação voar longe, e eu me enxergar morando no tal lugar, saindo para comprar pão quente logo cedo, escolhendo o canto onde bate o sol mais generoso para me espreguiçar de manhã, se dá para fazer muitas coisas a pé, se tem bons serviços perto e uma vendinha para comprar chocolates quando bate a sugar rush.

E isso acontece especialmente em viagens, mas não só: pelos bairros da minha própria cidade mesmo, eu sempre acho que poderia ser muito feliz morando em vários outros cantos também (não desprezando o meu lar-doce-lar, vejam bem, porque lá sou muito feliz, também). Meus amigos e familiares já sabem muito bem disso: é só eu voltar de algum lugar e eles me perguntarem como foi que nem me deixam terminar a frase: ‘Nossa, eu adorei! Eu poderia mor…’, ‘mas Nathalia, você quer MORAR EM TODO LUGAR QUE CONHECE’, haha.

Minha última paixão é o Brooklin, com suas casas acolhedoras de muros baixos e cara de interior. (L)

E foi lendo ‘The art of travel’, do filósofo suíço Alain de Botton, que não me senti tão só no mundo na minha síndrome: ele descreve a mesmíssima sensação em sua viagem a Amsterdam:

“(…) Numa rua enfileirada com apartamentos padronizados, eu parei em frente a uma porta vermelha e senti um intenso desejo de passar o resto da minha vida lá. (…) Eu queria a vida que aquele espaço infligia. Eu queria uma bicicleta. Eu queria colocar minha chave através daquela porta vermelha todas as noites. Eu queria ficar no pé daquela janela descortinada olhando para um apartamento idêntico no outro lado da rua e achar um caminho através de erwentsoep met roggebrood en spek* antes de me retirar para ler na cama, num quarto todo branco sem lençóis brancos. (…)”

(*expressão original em holandês, texto em tradução livre do inglês)

 

E vocês, também sofrem desse mal?

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8 Comentários leave one →
  1. 9 dezembro, 2009 1:53 pm

    Nossa, também sou bem assim. Acho lindo tudo o que não possui, mas, principalmente em se trantando de casas, eu sempre tendo absorver o maior número de informações daquele local e quando chego em casa anoto tudinho em uma lista de “caracteristicas da minha futura casa” hahaha! Quando daqui uns anos eu for projetar minha casa acho que ela vai ter um pouquinho de cada lugar por aí que eu já fui… imagina que bacana seria?
    Beijos

    • nath permalink*
      10 dezembro, 2009 7:53 am

      eu também super guardo mil referências de décor e vivo comprando coisinhas fofas para um lar futuro!

      :)))

      obrigada pela visita!
      ;*

  2. Nana permalink
    9 dezembro, 2009 4:03 pm

    Siiim, sofro desse mal… adoro Moema por ser um bairro onde TUDO pode ser feito a pé!

    E quando vejo uma rua que só tem casas, eu ja escolho a minha.

    Beijos

    • nath permalink*
      10 dezembro, 2009 7:55 am

      eu tambéeeeem!

      estou amando muito a zona sul, moema e brooklin, quero mudar pra cá AGORA, :}

      (até porque me evitaria de passar as 3h/dia no trajeto casa-trabalho que tenho passado, haha)

  3. Scheyla permalink
    10 dezembro, 2009 9:25 am

    Ahh eu tbem sofro dessa síndrome.. adoro passear pelas ruas observando as casas mais bonitas, os jardins, os detalhezinhos.. Esses dias atrás comprei em um sebo uma revista Bons Fluidos refúgios de montanha e campo.. cada casa linda!!
    Esse livro eu estou louca pra ler, vi sobre ele na revista Vida Simples…
    Bjuss

  4. camila permalink
    10 dezembro, 2009 12:08 pm

    Caramba, Dear! Também sofro desta síndrome! Desde pequenina, era estranhíssimo pq viajava com minha família e enquanto eles viam os lugares que visitávamos com passeio, eu via como uma probabilidade futura de viver! Adorei ler isto!

    Que saudade de você!

    Beijocas.
    Cami

  5. 10 dezembro, 2009 3:25 pm

    Preciso muito ler esse livro. Super me identifiquei!

  6. 26 dezembro, 2009 11:57 pm

    Nossa dessa vez eu nem podia deixa de comentar além de possuir essa vontade de sair por ai debravando o mundo eu também sofro dessa Símdome de moradia alatória eu ri muito abraços.

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